terça-feira, 28 de setembro de 2010

Spring Break

Estive em Brisbane, vim para Airlie Beach. Ontem mergulhei na grande barreira de coral, hoje fui a floresta tropical e amanha vamos a  Whitheaven Beach (google it).

O relato de tudo isto quando eu voltar!

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

All Blacks vs. Wallabies

No passado fim de semana fomos ver a final da Tri Nations Cup, o campeonato de rugby entre a Nova Zelândia, a África do Sul e a Austrália. Para começar, quem é que faz um campeonato com 3 nações?  99% da animação de não se saber quem chega às finais fica logo estragado. Além disso parece que estão a fazer um grupinho à parte "ah e tal bora lá ter o NOSSO campeonato, so os três, que somos especiais...". Bom de qualquer das formas, lá fomos ver o jogo.

O rugby aqui na austrália divide-se em rugby union e rugby league. Aparentemente têm regras diferentes e um nasceu da classe média alta e o outro da classe baixa. Qual é qual, que regras são diferentes, não faço a mais pequena ideia, mas acho que nós fomos ver um jogo de rugby union que aparentemente é o mais comum (ou seja aquilo que nós chamamos vulgarmente de rugby).

O estágio onde era o jogo é o estádio da ANZ que tem uma lotação de 83 mil pessoas (!! qual benfica qual quê), e nesse dia estavam 70,288 pessoas a assistir ao jogo. Quando lá chegamos, depois de uma viagem espantosamente tranquila sem nada dos empurrões e dos palavrões que se espera quando se vai ver um jogo de futebol de metro, ficámos muito surpreendidos pelo facto de os adeptos das duas equipas se misturarem à vontade. Ora estamos a falar de um jogo que seria ao equivalente a um portugal-espanha para o final o europeu (com mais um país...): não só era um jogo decisivo, como era um jogo entre dois países que à partida sentem mais rivalidade que nós e nuestros hermanos. Se assim é bem o disfarçam: durante o jogo está tudo misturado, e se há de vez em quando um maluco que grita por uma das equipas e faz uns gestos menos proprios, durante todo o jogo o respeito é total. Aliàs, se eu esperava que 70 mil pessoas num estádio fosse quase tão ensurdecedor como as vuvuzelas, tive uma grande desilusão: passam o jogo todo caladinhos e muito bem comportados, o que ao contrário de ser um alívio é uma enorme seca.

E depois há o jogo em si: corre corre corre, placagem, tudo no chão, pára, e volta ao inicio. O ritmo é tão lento que as pessoas só se dão ao trabalho de se levantar quando a jogada promete. O que acontece 3, vá, 4 vezes num jogo.

Depois do fim do jogo, eu a antecipar a confusão que seria 70 mil pessoas em debandada, preparei-me mentalmente para o martírio de ser empurrada para dentro do comboio, não conseguir respirar e acabar com um sovaco alheio na cara.... mas não, até nisso demonstram ser civilizados: tudo em filinha indiana para o comboio, tudo caladinho, acho que até as excursões do inatel da terceira idade são mais animadas.

Agora falta ir assistir a um jogo de criquete ( quando tiver muitoooo tempo porque aparentemente um jogo pode durar até uma semana... até nos desportos os australianos são muito laid back)

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

A família, o Uluru e o retomar deste blog

Primeiro tenho de pedir desculpa pela falta de notícias deste blog. A verdade é que a Austrália anda a dar-me mais trabalho do que o que eu esperava e entre fazer as mil e quinhentas leituras semanais (sim, eles acham que nos adoramos ler),  tentar assimilar toda uma panóplia de conceitos de contabilidade em inglês e ainda não morrer de fome ou ceder à tentação de me alimentar de Macdonald's, não sobra muito tempo nem para escrever aqui nem para surfar (sim gente, estou aqui há quase 2 meses e ainda não molhei o cabelo em àguas australianas). Portanto, agora que tenho um tempinho vou relatar a vinda da família e daí para trás contar as últimas novidades.

Então, a família chegou e fomos todos jantar a um nestaurante malaio que há em Sydney chamdo Mamak. Sendo sydney uma cidade para lá de cara e o Mamak sendo um restaurante bastante aprazível sem ser um roubo, há sempre fila à porta. Mas, muito inteligentemente, os donos do restaurante puseram uma montra cá fora com os cozinheiros a preparar o tradicional roti que envolve atirar massa pelo ar, quase como se fosse uma pizza. Isto tem a vantagem de não só entreter o povo como de impedir qualquer pessoa de sair da fila, que com aquela demonstração de habilidade culinária o resultado promete.

Depois do jantar lá foi a família toda ver a minha humilde casinha. (Impressões sobre este assunto terão de lhes perguntar, mas visto que conheceram o papi, só poderão ter coisas boas a dizer). Na vespera de partida para o Uluru voltámos a jantar fora num restaurante alemão com direito a cancioneiro e tudo. E competição de cerveja. Mas da sem álcool que aqui não se brinca com essas coisas.

Chegamos então ao esperado dia de partida para Uluru (para quem tiver dificuldades de pronunciar tal nome, não se apoquentem que se disserem rápido, com sotque inglês e acabar em U, está tudo bem). Acordei às 7 da manhã (algo que já não acontecia há uns tempos) e meio sonâmbula fui dar com a família inteira numa animação exemplar para aquela hora da manhã. Só depois é percebi porquê: à boa moda portuguesa fui-me infiltrar no mundo de croissants, ovos mexidos, bacon e todo um festim de frutas e cereais do pequeno-almoço do hotel, e é coisa para fazer qualquer um feliz logo de manhã. De barriga cheia partimos para Ayers Rock, ou Uluru para os aborígenes.

O tão afamado Uluru é na realidade uma rocha no meio do nada. E que interesse poderá ter uma rocha no meio do nada? A mesma pergunta ia-me bailando na cabeça  à medida que chegamos lá perto para ver o pôr-do-sol. (até porque quando vim para a Austrália, decidida a ser surpreendida por tudo o que visse, não li sobre esta terra). E aí uma pessoa apercebe-se da extravagância da paisagem: no meio de uma planície de perder de vista, sem nada de mais assinalável que meia dúzia de àrvores, surge aquele colosso sobrenatural, de terra vermelha e textura esquisita, e de repente sentimos, como se fosse uma chapada, a força e a grandeza da natureza.
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Mas como so um pôr-do-sol não chega, lá voltámos no dia a seguir para ir ver o nascer do sol: acordar às 5 da manhã, uma correria para chegar a tempo, "frio, frio, frio, nasce o sol, ai que giro, sim senhor a cor é diferente, bora lá para dentro do carro que já quase congelei o pulmão". Voltamos para o hotel e.....fomos dormir mais um bocadinho que isto do turismo também cansa.

A tarde reservava-nos mais rocha, desta vez Kata Tjuta, ou as Olgas para os Australianos bracos. Ao contrário do Uluru, que é um monolito, as Olgas são 36. O mais giro do passeio por lá foi ver um canguru ao pé do riacho. Ao final da tarde, e porque ainda não tinhamos visto o Uluru vezes suficientes, fomos dar um passeio ao pé da base e sentir a energia que supostamente emana da rocha. No caminho para lá passámos pelo trilho que ascende ao topo do Uluru e para minha surpresa muitas pessoas estavam a subir a despeito dos pedidos dos aborígenes para não o fazerem pois aquele é para eles um local sagrado e no final de contas, aquela terra pertence-lhes. Conhecer algumas tradições aborígenes, ver a forma como eles ainda são discriminados, e aperceber-me pela primeira vez da dimensão do problema, foi das grandes lições desta viagem. Os aborígenes são ainda a "pedra no sapato" do governo australiano. A maioria não quer abdicar da sua cultura e mesmo os que querem são ainda cruelmente discriminados. As soluções que foram sendo arranjadas variam entre a aculturação à força, como quando o governo tirou as crianças aos aborígenes por forma a educá-los na cultura ocidental, e o completo desprezo. Em Alice Springs, vêm-se aborígenes meio perdidos, como se não soubessem muito bem o que andam ali a fazer, e se a primeira impressão é de repulsa, pelo seu mau aspecto e ar intimidante, quando se conhece a sua história percebe-se o limbo onde estão, a meio caminho entre a sua cultura e a dos homens brancos, perto de ambas mas sem pertencer a nenhuma. No entanto, o que me ficou na cabeça é a forma como muitas destas pessoas ainda vivem na total comunhão com a terra: dependem dela para comer, não plantam absolutamente nada, vivem da benevolência da natureza, da misericórdia da chuva. Pode parecer paternalista, mas enquanto a maior parte de nós salta à vista de uma cobra, estas pessoas caçam-nas para comer; nós virámos costas à natureza e fechámo-nos em quatro paredes de cimento, eles dormem debaixo das estrelas - a maior parte das pessoas chamar-lhe-ia atraso civilizacional, eu pergunto onde tanta civilização nos levou.

Estas questões filosóficas levantou-as uma ida ao centro cultural no parque natural de Kata Tjuta. No dia seguinte dirigimo-nos para Kings Canyon, passando com distinção a prova de guiar ao contrário (sim também eu) Em Kings Canyon fomos ver, o quê, o quê? Isso mesmo, mais rochas. Fizemos um trekking à volta do canyon, passamos no chamado Garden of Eden que é um fosso no meio da rocha onde crescem espécies do tempo dos dinaussauros e onde turistas vão dar um mergulho. Vimos precipícios de cortar a respiração e voltámos 3 horas depois, exaustos, mas com a clara sensação de que tinha sido a melhor vista até então. Nessa noite fomos jantar e assistir àquele que era, pela descrição de alguém a quem claramente demos demasiado crédito como o "best show in town". Ora há que ter em conta que estavamos no outback e a "town" era na realidade uma rua. Portanto, o "show" era nada mais nada menos que dois velhotes, um a tocar guitarra, ela na percurssão (percussão é elogio, era um pau com uns guizos atados). O Nuno ainda foi fazer um dança com um chapéu de koala na cabeça e por mais que os duo se esforçasse, esse foi o momento mais perto de ser divertido da noite.

No dia seguinte partimos para Alice Springs. Chegámos a tarde e depois de algumas voltas na cidade, meio perdidos à procura do hotel chegámos todos à mesma conclusão: Alice Springs é feio que dói. São as casas de telhados de zinco, com muros de placas de zinco, é o ar de subúrbio meio abandonado, é o ar de desterro sem a parte exótica. Nesse dia chegámos ainda a tempo de....... ver mais umas rochas! Fomos a simpons gap ao final do dia, um sitio com um riacho onde esperavamos ver wallabies mas acabámos por gelar depois do pôr-do-sol sem ver nada. No dia seguinte foi dia de regresso, mas deu ainda tempo para........ mais umas rochas isso mesmo! Fomos ver o Stanley Chasm, uma garganta também com um riacho. Quando lá chegámos, a tabuleta do trekking anunciava um trilho fácil. Mas parece-me que os senhores que fazem estaclassificação têm uma opinião muito optimista do nível médio de fitness dos australianos porque o trilho ´não era nada fácil fácil. Um velhote, ludibriado pela plaquinha, aventurou-se no trilho, de bengala e tudo, para depois desistir, após as multiplas travessias de riachos e exercícios de equilibrismo. Nessa tarde voltei a Sydney e à vida de estudante-de-mestrado-numa-àrea-da-qual-não-percebe-nada.


O uluru
As Olgas
As Olgas
Kings Canyon



Simpsons Gap

Stanley Chasm
 
On the road